PRESSUPOSTOS PARA UMA ÁNALISE
DA EDUCAÇÃO EM GRAMSCI
Movimentos, Lutas Sociais e Organização Política da Classe Trabalhadora
INTRODUÇÃO
Este artigo é fruto de
inquietações advindas a partir da participação nas aulas promovidas pelo Núcleo
Temático: Política de Educação no Contexto da Sociedade Brasileira, disciplina
constituinte do Projeto Político Pedagógico do curso de Serviço Social da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE –, no ano de 2015, ministrada pela docente Doutora
Cleonilda Sabini Thomazini Dallago.
Considerando a educação como
elemento central no processo de formação da consciência humana e como
possibilidade de alcançar a emancipação social, busca-se neste artigo
desenvolver a hipótese de como a escola pode se colocar como instituição
responsável por viabilizar tal processo a partir de uma perspectiva gramsciniana[3]. De
acordo com Simionatto (1995), Gramsci vivenciou um período em
ocorria a ascensão do capitalismo na Itália. Aproximou-se das discussões acerca
da educação a partir das críticas realizadas à reforma de Gentile[4].
Esta acentuava o princípio da profissionalização no interior da escola
elementar-média. A partir dessa reforma, Gramsci elabora uma proposta de escola
única e comum ou escola unitária destinada a formação humanista e desinteressada
do trabalho.
Dentro desta
perspectiva, considerar a educação em Gramsci é, necessariamente, levar em
conta o papel da escola na (re)produção ou transformação da ordem social e
política. Por ser condicionada por parâmetros e imperativos burgueses, a
educação deve ser analisada em sua relação com estrutura econômica. Neste
sentido, a primeira parte deste artigo tem como objetivo de analisar a associação
intrínseca e dialética entre educação e sociedade a partir de uma concepção
gramsciniana. Considerar tal relação implica em desvelar a luta de classes no
contexto da sociedade capitalista de modo a compreender a educação como
resultante desta luta e instrumento que pode tanto reforçar a dominação
econômica e ideológica burguesa, quanto viabilizar uma mudança estrutural nas
formas políticas e sociais.
A partir destas
discussões, a segunda parte do artigo procura evidenciar a função da educação
na elaboração de intelectuais orgânicos capazes de levar a cabo a tomada de
consciência do proletariado. Os intelectuais orgânicos da burguesia e do
proletariado, em constante disputa pela assimilação ideológica do conjunto de
homens da sociedade, encontram na educação os pressupostos para a mediação da
conquista de sujeitos sociais que irão dar sustentação ao seu projeto de
classe. Apoiando-se numa concepção gramsciniana, procura-se desenvolver a
importância das discussões acerca da educação, enfatizando o caráter teórico e
potencial da escola unitária no contexto da sociedade capitalista.
1 EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: UMA
CONCEPÇÃO GRAMSCINIANA
Compreender o papel da
educação na perspectiva gramsciniana requer, antes de tudo, considerar a escola
como elemento central para a transformação das relações sociais. Sua função
[...] pode ser, em certa medida, transformadora,
sempre que possa proporcionar às classes subalternas os meios iniciais para
que, após uma longa trajetória de conscientização e luta, se organizem e se
tornem capazes de ‘governar’ aqueles que as governam. (MOCHCOVITCH, 1988, p. 7)
Para Mochcovitch (1988),
embora a educação tenha a possibilidade de proporcionar ao proletariado formas
de engendrar uma mudança na forma organizativa da produção, Gramsci não
descarta o papel educacional na reprodução das relações sociais capitalistas.
Estas, por seu turno, procuram produzir e reproduzir uma classe trabalhadora
conformada, subalterna e dominada pelas amarras estruturais da classe
dominante. Neste contexto, compreender o papel desempenhado pela educação e,
por conseguinte, pela escola, implica considerar a relação entre estrutura e
superestrutura. Tais categorias assumem algumas características diversas e
específicas nas perspectivas concebidas por Marx e, mais tarde, por Gramsci.
Entretanto, pode-se dizer que apoiando-se num referencial teórico marxiano,
Gramsci não nega seus principais fundamentos, mas contribui, decisivamente,
para a ampliação de muitas de suas perspectivas.
Para Marx (2008), a produção
da vida social e da existência humana é condicionada pelas relações sociais de
produção e determinada por certo grau de desenvolvimento das forças produtivas.
O conjunto desses elementos constitui a estrutura econômica de uma determinada
forma de organização social, cuja sociedade civil faz parte. Segundo Bobbio
(1982), a sociedade civil corresponde ao conjunto de toda a vida social
pré-estatal e compreende o elemento decisivo a partir do qual se elevará uma
superestrutura jurídica e política, responsável por abarcar a dimensão do
Estado. Bobbio (1982) também caracteriza a concepção marxiana de estrutura-superestrurura
como relação determinada pela antítese entre sociedade civil e Estado, pois
“[...] se é verdade que a sociedade política não esgota o momento
superestrutural, é igualmente verdade que a sociedade civil coincide – no
sentido de que tem a mesma amplitude – com a estrutura” (BOBBIO, 1982, p. 31).
A sociedade civil, pois, é para Marx, o elemento estrutural determinante sobre
o qual se constitui a ordem política do Estado enquanto elemento determinado e
inscrito no plano superestrutural.
Em Gramsci, a relação entre
sociedade civil e Estado ganha um novo sentido na medida em que a soma destes
dois elementos passam a caracterizar o plano superestrutural da sociedade.
Conforme Bobbio (1982), ao contrário de Marx, Gramsci compreende a sociedade
civil não apenas como o conjunto de relações econômicas, mas, sobretudo, como
relações ideológico-culturais que, ao lado da sociedade política, formam o
Estado ampliado. Enquanto para Marx a sociedade civil representa o momento
ativo do desenvolvimento histórico e se localiza na esfera estrutural, para
Gramsci a sociedade civil pertence, necessariamente, ao plano da
superestrutura. Em outras palavras, em Gramsci,
[...] podem-se fixar dois grandes “planos”
superestruturais: o que pode ser chamado de “sociedade civil” (isto é, o
conjunto de organismos designados vulgarmente como “privados”) e o da
“sociedade politica ou Estado”, planos que correspondem, respectivamente, a
função de “hegemonia” que o grupo dominante exerce em toda a sociedade e àquela
de “domínio direto” ou de comando, que se expressa no Estado e no governo
“jurídico”. Estas funções são precisamente organizativas e conectivas (GRAMSCI,
2001, p. 21).
Nesse sentido, a escola,
enquanto instituição responsável por veicular determinada ideologia de classe,
localiza-se no plano superestrutural da sociedade e coloca-se como dever do
Estado. Gramsci (2001) afirma essa questão na medida em que, no final de do
século XIX, as discussões acerca da “escola comum e única[5]”
adquirem maior fomento, num momento em que as democracias capitalistas
europeias empenham-se em expandir o ensino público. “A ideia da educação como dever do Estado se
difunde e se firma dentro deste processo de emancipação política e
fortalecimento dos Estados Nacionais da ordem burguesa” (PAIVA, 1984, p. 19). Numa
palavra: a educação como dever do Estado pode contribuir para a afirmação da
ordem burguesa, pois fortalece a dinâmica de exploração intrínseca do sistema
capitalista. A educação burguesa encontra na democratização do ensino a
pretensa falácia do discurso de igualdade de oportunidades entre seres
formalmente iguais numa ordem competitiva.
Para Mochcovitch (1988), duas
formas de dominação podem ser identificadas como pressupostos para os
parâmetros educacionais burgueses, a saber: a econômica e a político-ideológica.
O primeiro momento dessa dominação refere-se à exploração do trabalho pelo
capital.
[...] a época da burguesia, caracteriza-se
[...] por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade inteira
vai-se dividindo cada vez mais em dois grandes campos inimigos, em duas grandes
classes opostas entre si: burguesia e proletariado (MARX; ENGELS, 2011, p. 40).
Isso significa dizer que a
dominação econômica tem sua gênese na luta de classes. Esta adquire
características muito específicas na sociedade capitalista, pois “A burguesia
rasgou o véu de comovente sentimentalismo que envolvia as relações familiares e
as reduziu a meras relações monetárias [...] colocou a exploração aberta,
despudorada, direta e árida” (MARX; ENGELS,
2011, p. 43). Essa dominação econômica reflete diretamente nos princípios
educacionais burgueses, já que seu objetivo não é outro senão desenvolver e
produzir uma massa de trabalhadores operários para sustentar o modelo de
produção capitalista.
De acordo com Gramsci (2001),
a dominação econômica é fomentada pela dominação político-ideológica. Sob a
direção do Estado, este tipo de dominação encontra na força do aparelho
repressor – sociedade política – e no consenso social – sociedade civil – os
pressupostos necessários para sua manutenção. Assim, dois fatores podem ser
destacados em relação à dominação econômica e ideológica: a interiorização da
ideologia dominante pela classe trabalhadora e consequente ausência de uma
consciência de classe do proletariado que lhe possibilite autonomia. Segundo
Portelli (1977), as ideias da classe dominante configuram-se como a ideologia
da classe dominante. Esta impõe-se como concepção de mundo e impregna todo o
corpo social. Neste processo, o proletariado acaba por interiorizar os princípios
e valores da cultura burguesa, difundidos pelas instituições superestruturais.
A ideologia dominante tomada como consciência de classe do proletariado impede
a luta contra hegemônica no processo de rompimento com a dominação econômica e
ideológica burguesa. Não se identificando como classe trabalhadora, o
proletariado não se reconhece como parte constituinte dessa classe. Para
Gramsci (2001), pelo fato da dominação ideológica implicar numa subordinação
intelectual, a classe trabalhadora constitui-se como o cimento da ideologia
dominante. A ausência de uma consciência de classe em si e para si[6] que
represente os ideais da classe proletária dificulta seu processo emancipatório
e revolucionário. Neste sentido, a consciência de classe deve ser “[...] a
‘ética’ do proletariado, a unidade de sua teoria e de sua práxis, o ponto em
que a necessidade econômica de sua luta emancipadora se transforma
dialeticamente em liberdade” (LUKÁCS, 2003, p. 129).
Deste modo, a educação pode
contribuir para a formação da consciência de classe do proletariado na medida
em que, para Gramsci (2001), deve superar a distinção entre formação
intelectual/humanista e profissional, pois
Não é a
aquisição de capacidades diretivas, não é a tendência a formar homens
superiores que dá a marca social de um tipo de escola. A marca social é dada
pelo fato de que cada grupo social tem um tipo de escola próprio, destinado a
perpetuar nestes grupos uma determinada função tradicional, diretiva ou
instrumental. Se se quer destruir esta trama, portanto, deve-se evitar a
multiplicação e graduação dos tipos de escola profissional, criando-se, ao
contrário, um tipo único de escola preparatória (elementar-média) que conduza o
jovem até os umbrais da escolha profissional, formando-o entrementes como
pessoa capaz de pensar, de estudar, de dirigir ou de controlar quem dirige. A
multiplicação de tipos de escola profissional, portanto, tende a eternizar as
diferenças tradicionais; mas, dado que ela tende, nestas diferenças, a criar
estratificações internas, faz nascer a impressão de possuir uma tendência
democrática (GRAMSCI, 1982, p. 136-137).
Gramsci (1982) entende a
escola profissionalizante como uma forma imediatista de sujeitar a socialização
das crianças e dos jovens a uma formação submetida à lógica da produção que
contribui para o enrijecimento das diferenças sociais. Este tipo de escola está
mais preocupada em direcionar a massa proletária aos imperativos e necessidades
impostas pelos interesses práticos do sistema para sua constante reprodução.
Trata-se, portanto, de um processo progressivo de degenerescência da educação
sob uma aparência democrática. Para ele, essa crise pode ser superada na medida
em que se difunda uma escola desinteressada que combine formação humanista e
profissional. Esta escola deve não apenas desenvolver a capacidade técnica
produtiva do homem, mas também
[...] uma escola em que seja dada à criança a
possibilidade de formar-se, de
tornar-se um homem, de adquirir os critérios gerais que sirvam ao
desenvolvimento do caráter. [...] Uma escola que não hipoteque o futuro da
criança e constranja a sua vontade, sua inteligência, sua consciência em
formação a mover-se dentro de uma bitola. [...] Uma escola de liberdade e de
livre iniciativa e não uma escola de escravidão e mecanicidade (GRAMSCI, 1982,
p. 59, grifo do autor).
Este tipo de escola, cuja
Gramsci (2001) caracteriza como escola unitária, significa, pois,
possibilidades de construção de novas relações entre trabalho intelectual e
trabalho industrial. Tais relações não se limitam apenas ao âmbito do espaço
escolar; ao contrário, produz e reproduz novas relações sociais que repercutem
ao longo de todo corpo da vida social. Introduzem novos elementos e conteúdos
que modificam os organismos de cultura, a direção política da organização
social e a elaboração de intelectuais capazes de dirigir tal organização. Isso
significa dizer que pela via da educação colocam-se as possibilidades de
superação do modelo de produção hegemônico a partir de um processo dirigido por
intelectuais orgânicos, frutos do tipo de escola humanista proposta por
Gramsci. Analisar a função da escola unitária como responsável pela elaboração
de intelectuais que empunharão um processo revolucionário, pois, é fundamental
para compreender a potencialidade contida no próprio princípio educativo e, por
conseguinte, no sistema escolar.
2 O
REFLEXO DA EDUCAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DOS INTELECTUAIS ORGÂNICOS
Num esforço de
conceituar a categoria intelectual, Gramsci (2001) toma como ponto de partida
algumas considerações acerca do trabalho manual e intelectual. Para o autor,
não há uma distinção entre a natureza destes dois tipos de trabalho – como há
em Marx –, pois mesmo a atividade mais manual e mecânica exige do homem certo
dispêndio de qualificação técnica, isto é, de mínima atividade intelectual
criadora. Assim, se Gramsci (2001) considera todos os homens como intelectuais
– pelo fato de que todos despendem certo conhecimento técnico e, por
conseguinte, intelectual no desenvolvimento de seu trabalho – não se pode
dizer, contudo, que todos exercem a função de intelectuais no seio da
sociedade, até porque “[...] o fato de que alguém possa, em determinado
momento, fritar dois ovos ou costurar um rasgão no paletó não significa que
todos sejam cozinheiros ou alfaiates” (GRAMSCI, 2001, p. 18).
Nesse sentido,
identificar a função desempenhada pelos homens como intelectuais na sociedade
requer superar um erro metodológico comum já apontado inicialmente por Gramsci
(2001): a tendência em caracterizar o intelectual apenas pela via da descrição
das atividades intrínsecas a sua função, em vez de entendê-las no contexto
geral das relações sociais em que se inserem. O exercício da função
intelectual, pois, se relaciona menos com a capacidade técnica produtiva do
homem do que com sua capacidade dirigente. Gramsci (2001) aponta para essa
dimensão na medida em que considera o intelectual como aquele que tem
consciência de sua própria função não apenas na esfera econômica, mas,
sobretudo, na política e social. Isso significa dizer que o homem exerce a
função de intelectual no mesmo passo em que é um organizador da sociedade,
capaz de governá-la por meio de sua capacidade dirigente e
organizativo-ideológica. Por esse motivo, é bem verdade que se possa afirmar
que todos os homens, ao despenderem certo quantum
de atividade intelectual, sejam intelectuais. No entanto, o simples dispêndio
de atividade intelectiva – e, por conseguinte técnica – não é suficiente para
caracterizá-los como portadores da função intelectual. Enquanto no primeiro
caso, a presença de conhecimento técnico é bastante para designar o conjunto de
homens da sociedade como intelectuais, no segundo, é o predomínio da capacidade
dirigente e organizativa, associada ao conhecimento técnico produtivo, que
determina a função intelectual desempenhada por eles.
O antagonismo das
classes sociais, expresso na particularidade do modo de produção capitalista,
tende, segundo Gramsci (2001), a elaborar camadas de intelectuais orgânicos.
Estes, ao representarem os grupos sociais que sustentam determinada estrutura
econômica, personificam os atores sociais vinculados a trama da organização
social dominante. No modo de produção capitalista, os intelectuais orgânicos
não poderiam senão expressar o conjunto de intelectuais da burguesia e do
proletariado. Ao sinalizar tais considerações, Gramsci (2001) demarca a
existência de uma relação entre mundo da produção e elaboração intelectual. Tal
relação atribui aos intelectuais a tarefa de conduzir a direção política e
cultural de uma determinada classe social sobre o conjunto da sociedade, quer
na condição de construtores de ideologias, quer na de funcionários da
superestrutura.
A educação e, por
conseguinte, a escola constitui-se como uma das mediações para a elaboração de
intelectuais orgânicos. Esta instituição pode possibilitar a formação de dois
tipos de intelectuais, a saber: aqueles responsáveis por garantir a hegemonia
da classe dominante e aqueles que em seu processo de luta e resistência acabam
por contribuir para a construção de uma nova ordem social e política. Ambos,
por seu caráter dirigente e organizativo engendram uma luta de classes que dá
corpo a ininterrupta luta histórica entre burguesia e proletariado.
Como um mecanismo estratégico da ordem
social, a escola configura-se como uma instituição responsável por garantir a
amarra do proletariado a dominação e subordinação econômica ideológica aos seus
imperativos. Por outro lado, a educação pode ser também um instrumento capaz de
fornecer as possibilidades a classe trabalhadora no tocante a sua emancipação.
De acordo com Gramsci (1978), a contribuição da educação na formação do
intelectual orgânico proletário deve ser a de proporcionar ao homem ativo de
massa uma atuação prática com clara consciência teórica. Sua atividade deve
ligar-se a um grupo social determinado que não deve ser outro senão aquele a
que pertença originalmente: o proletariado.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Diante das discussões
apresentadas, nota-se que frente a lógica posta pelo capitalismo aos padrões de
uma escola burguesa, a possibilidade de tornar a educação como um instrumento
transformador torna-se cada vez mais distante diante dos interesses adversos
existentes entre burguesia e proletariado. Logo, para que os sujeitos sociais
alcancem uma consciência de classe, é preciso possibilitar aos mesmos as bases
para que isso se efetive. Contudo, tal condição não é almejada pelos padrões
burgueses que visam uma educação voltada para a manutenção da estrutura
capitalista.
Deste modo, a escola unitária
proposta por Gramsci torna-se uma alternativa utópica, teoricamente construída,
mas que não se pode afirmar ou negar sua funcionalidade, já que nunca foi posta
em prática no contexto educacional. Apesar da impossibilidade de se comprovar a
teoria da escola unitária de Gramsci, pode-se apontar para uma direção: o
caminho para uma educação democrática e emancipatória, de acordo com Mészáros
(2008), não se dá em uma ordem social desigual e excludente. As reformas
produzidas pelo sistema educacional no âmbito desta ordem são apenas formais,
pois continuam a transmitir e legitimar um quadro de valores burgueses. A
educação somente conquistará sua possibilidade transformadora na medida em que
promover uma mudança essencial na estrutura da sociedade. Não se produz um novo
homem nas velhas formas econômicas e sociais. O desenvolvimento das
potencialidades do ser social, pois, só pode ser plenamente concebido a
partir de uma educação que vá para além do capital.
REFERÊNCIAS
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de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1982.
DICIONÁRIO
Básico de Filosofia. Direção de Hilton Japiassú e Danilo Marcondes. Terceira
edição revista e ampliada por Jorge Zahar Editor Rio de Janeiro: 2001.
GRAMSCI,
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Henrique e Marco Aurélio Nogueira. 2º Ed. Rio de Janeiro: Civilização
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________________. Os intelectuais e a organização da cultura.
Tradução de Carlos Nelson Coutinho. 4º edição. Rio de Janeiro: Civilização
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________________.
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de Carlos Nelson Coutinho. 3º
Edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
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estudos sobre a dialética marxista. Tradução de Rodnei Nascimento. Revisão
da tradução Karina Jannini. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MARX,
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política. Tradução e Introdução de Florestan Fernandes. 2º Ed. São Paulo:
Expressão Popular, 2008.
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Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do
partido comunista. Tradução Marcos Aurélio Nogueira e Leandro Konder.
Petrópolis, RJ: Editores Vozes, 2011.
MÉSZÁROS,
István. A educação para além do Capital.
Tradução de Isa Tavares. 2º Edição. São Paulo: Boitempo, 2008.
MOCHCOVITCH, Luna
Galano. Gramsci e a Escola. Série
Princípios. Editora Ática: São Paulo, 1988.
PAIVA, Vanilda Pereira. Perspectivas e dilemas da educação popular. Rio de Janeiro: Graal,
1984.
PONCE, Aníbal. Educação
e Luta de Classe. 23º ed. São Paulo: Cortez, 2010.
PORTELLI, Hugues. Gramsci
e o bloco histórico. Tradução de Angelina Peralva. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1977.
SIMIONATTO,
Ivete. Gramsci, sua teoria, incidência
no Brasil, influência no Serviço Social. Florianópolis: Editora da UFSC;
São Paulo: Cortez, 1995.
[1] Alícia Beatriz Mallmann
Piccinin, estudante do 3º
ano do curso de Serviço Social na Universidade Estadual do Oeste do Paraná –
UNIOESTE - campus de Toledo, alicia.mallmann@gmail.com.
[2] Mirele Hashimoto
Siqueira, estudante do 3º
ano do curso de Serviço Social na Universidade Estadual do Oeste do Paraná –
UNIOESTE -Campus de Toledo, mirelehashimoto@hotmail.com.
[3] De acordo com o Dicionário Básico Filosófico (2001), esta
perspectiva provém do político e pensador marxista italiano Antonio Gramsci (1891
– 1937), que foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921. Para
ele, o marxismo deve ser interpretado como uma “filosofia da práxis”, como uma prática
política revolucionária com uma firme base teórica. Divergiu da interpretação
oficial do marxismo da União Soviética sob Stalin e procurou recuperar os
elementos dialéticos hegelianos da teoria marxista.
[4] “Giovanni
Gentile (1875 – 1944) foi um filosofo político italiano, expoente da
intelectualidade fascista. Pensador hegeliano de direita e [...] Ministro da
Educação de 1922 a 1924, realizou uma reforma geral do ensino na Itália para o
governo fascista. Morreu em 1944 executado por membros da Resistência italiana”
(MOCHCOVITCH, 1988, p. 59).
[5] “[...] é
a escola pública, laica (em que não se ministra ensino religioso), obrigatória
e gratuita, aberta e garantida às crianças originárias de todas as classes
sociais, que estudam as mesmas disciplinas, pelo mesmo currículo, por todas as
séries ou graus que precedem o nível universitário, sem distinção entre
formação humanista e formação profissional” (MOCHCOVITCH, 1988, p. 67).
[6] “A classe em si,
apenas com existência econômica, se define pelo papel que desempenha no
processo da produção; a classe para si, com existência econômica e psicológica,
se define como uma classe que já adquiriu consciência do papel histórico que
desempenha, isto é, como uma classe que sabe a que aspira. Para que a classe em
si se converta em classe para si, e necessário, portanto, um longo processo de
esclarecimento, em que os teóricos e as próprias peripécias da luta desempenham
uma amplíssima função” (PONCE, 2010, p. 35).
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